A vida é um rasgar-se e remendar-se...
- Gisele Reami

- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Final de ano deixa a gente pensativo né? Vi essa imagem e ela me trouxe um GRANDE, GIGANTE, GIGANTÍSSIMO devaneio…
Falamos muito sobre mudanças, perdas, escolhas, tem lá aquela história de que fazemos cerca de 35 mil decisões por dia. Escolher também envolve perder, já pensou nisso? E olha que nem sempre a gente escolhe...
Mas o que percebi é que, no fundo, cada pequena decisão que tomamos deixa um rastro: algumas coisas vão embora, outras ficam, e a gente vai aprendendo a costurar essas ausências. É curioso como a vida nos obriga a rasgar e remendar, quase como se estivéssemos sempre experimentando um patchwork de escolhas, erros e acertos.
E é aí que entra a beleza (ou a loucura, rsrsrs) da vida: ela é feita desses rasgos e remendos. Coisas se quebram, expectativas se despedaçam, e a gente vai juntando os cacos do jeito que dá, criando algo que, embora diferente do que imaginamos, ainda é nosso.
O luto pelas possibilidades que deixamos para trás muitas vezes é inevitável...
Enfrentamos perdas simbólicas que refletem nossas expectativas e fantasias. Elaborar essas perdas significa reconhecer que a vida real, infelizmente, nunca corresponderá plenamente as nossas idealizações (veio aí, a famosa "pedrada terapêutica").
É um processo, difícil e muitas vezes frustrante, de amadurecimento psíquico: deixamos de buscar o impossível para encontrar valor no que é possível. Esse movimento nos permite não apenas aceitar o que não foi, mas também redirecionar nossa energia para aquilo que pode ser transformado no presente.
O presente é o único lugar onde a vida acontece, mas, para aproveitá-lo, é preciso aceitar que nenhuma escolha será perfeita ou isenta de perdas. Encarar o que ficou para trás, pode ajudar a descobrir novas formas de se relacionar com suas escolhas e, principalmente, consigo mesmo.

Rasgar dói. Remendar-se, por vezes dói mais ainda. É um processo que ninguém gosta mas que todo mundo precisa em doses. Não é sobre sofrer sem fim — é sobre atravessar, acolher e cuidar de cada pedaço nosso.
Existe um dito popular, uma paráfrase de um poema de Robert Frost: "A única saída é atravessar. A única maneira de se chegar ao outro lado do túnel é passando por dentro dele, e não o rodeando."
Não há despertar de consciência sem algum desconforto. Sustentar certos incômodos faz parte
da vida (que, sendo bem sincera, não é nada justa! Mas é do jeito que é...) Tão importante quanto é reconhecer quais dores já não nos servem, são quais desconfortos podem ser deixados de lado, abrindo espaço pra outras coisas.
"É de suturas e emendas que se trata na análise"
(Jacques Lacan)
Ah, e um recorte desse texto você também encontra lá no meu Instagram :)




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