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As faltas que carregamos

  • Foto do escritor: Gisele Reami
    Gisele Reami
  • 30 de jan.
  • 2 min de leitura

Crescemos acreditando que um dia estaríamos completos, felizes, realizados. Você achou, eu achei, todo mundo achou que haveria um momento em que tudo faria sentido e nada faltaria, nos sentiríamos realizados, felizes, completos.


Mas a vida faz questão de nos mostrar outra coisa: sempre haverá falta, espaços vazios, limites. A falta dói. Nos lembra que somos humanos, que não damos conta de tudo e que não temos controle de nada. E, ao mesmo tempo, a falta nos move. É ela que nos impulsiona a buscar, a caminhar, a olhar para dentro de nós e para o mundo com curiosidade.


Já adianto que a análise não faz as faltas desaparecerem. Mas dá para aprender a nomeá-las, a dar contorno, a olhar para elas sem tanto medo, a entender o que aquele incomodo quer nos dizer. A análise cria um espaço seguro para que possamos sentir o que dói, refletir sobre o que cada vazio nos revela e, aos poucos, descobrir maneiras de conviver com ele.


Aprendemos a dançar com a falta e viver com elas não significa estar incompleto.


Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal

Se você ainda não leu, quero te recomendar com carinho o livro "A Parte Que Falta", de Shel Silverstein.


Sim, é um livro infantil, mas não é. Entendeu?


É uma história aparentemente simples e encantadora sobre sentir que lhe falta uma parte e sair pelo mundo em busca dela.


Esse personagem poderia ser claramente qualquer um de nós e é justamente isso que torna a história tão bonita: ela nos lembra de que todos carregamos faltas, vazios e desejos que nos movem.


A história nos mostra que viver com as faltas não é um problema a ser resolvido, mas uma condição humana fundamental. E talvez essa seja uma das maiores armadilhas contemporâneas: acreditar que a falta é sinal de fracasso, de insuficiência, de algo que precisa ser rapidamente consertado. Porque, de forma simples, ele nos mostra que a busca pela completude pode nos fazer esquecer do caminho, do ritmo, do encontro com nós mesmos. E que, às vezes, aprender a conviver com a falta é mais transformador do que encontrar algo que supostamente a preencha.



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