Como cada um inventa a própria história?
- Gisele Reami

- 3 de jul.
- 2 min de leitura
Você já parou pra pensar que, quando você nasceu, já existia uma história te esperando?
Antes de você dizer a primeira palavra, antes de você entender qualquer coisa sobre o mundo, você já estava sendo formado por coisas que não eram suas (mas que já entraram na sua bagagem sem você querer)
A gente nasce dentro de uma história que já estava sendo contada. Uma história com personagens que vieram antes e essa história vai te formando...A gente herda silêncios, coisas que nunca foram ditas em voz alta, mas que estavam ali, no jeito como certos assuntos eram evitados, no que ficava sempre por dizer. A gente herda medos, que as vezes nem fazem sentido pra nossa própria vida, mas que aprendemos antes de saber o que era medo. A gente herda formas de amar, formas de se afastar quando as coisas ficam difíceis, formas de sobreviver, formas de viver.
É aí que a história que estava sendo contada antes de você se torna também a sua história, como ponto de partida.
Por muito tempo, a gente nem percebe que está carregando essas coisas. Elas se misturam com quem a gente é. A gente acha que é "meu jeito". Que aquela forma de se afastar é "da minha personalidade". Que aquele silêncio é só... como as coisas são.
Ainda assim, tem uma coisa que me fascina. Como, com tudo isso que a gente herda, a gente ainda consegue inventar uma vida? Como a gente sai do silêncio e encontra as próprias palavras?
Eu penso muito nisso. Porque não é sobre apagar o que veio antes, nem sobre culpar quem veio antes, ou tentar se desfazer de tudo o que foi herdado (como se isso fosse possível).
Uma das coisas que acontecem na terapia é sobre, em algum momento, começar a olhar pra essas coisas e perceber que elas têm uma origem, que aquele medo não nasceu com você, que aquele silêncio tinha um motivo, numa outra história, numa outra época. Quando a gente toma contato com isso, a gente passa a poder escolher o que fazer com aquilo.
Como cada um aprende, do seu jeito, a se habitar?
Eu não tenho uma resposta única pra essa pergunta... e acho que ninguém tem.

Se assim como eu, você achou interessante pensar nisso, eu te indico esse livro aqui ->
Ele traz uma história que nos faz pensar sobre como a nossa história começa antes mesmo da nossa existência. Sobre os lugares que ocupamos na família, na sociedade, perante as expectativas que colocam em nós... Esse livro me marcou muito. Esse livro me marcou muito!
Eliane escreve de um jeito íntimo, sensível e profundo.




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