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Obrigada pelo silêncio

  • Foto do escritor: Gisele Reami
    Gisele Reami
  • 16 de jan.
  • 2 min de leitura

Há algum tempo atrás ouvi algo que me marcou: "obrigada pelo silêncio".


Estranho, né? Não estamos acostumados com o silêncio. Lidamos com o silêncio como um espaço que precisamos preencher. Como se ele fosse, necessariamente, um espaço vazio e tentamos ocupá-lo de todas as formas.


Enquanto escrevia este texto, me lembrei da época da pandemia. Foi um período difícil em TODOS os sentidos, isso é inegável. Mas também escancarou algo importante: a dificuldade que temos de estar sozinhos com os nossos próprios silêncios. Fomos obrigados, quase de forma brutal, a encarar esse espaço sem distrações, sem saídas, sem tanto barulho externo.


Fugimos de nós mesmos sem perceber. Preenchemos o silêncio com conversas, notícias, redes sociais, compromissos, atividades… qualquer coisa que nos tire do encontro com aquilo que está dentro de nós. Fugimos do que dói, do que incomoda, do que ainda não sabemos nomear. Fugimos do nosso próprio ritmo, do nosso desejo.


Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal

O que quero te dizer hoje é que nem todo silêncio é vazio e nem todo silêncio precisa ser desconfortável. Muitas vezes o silêncio é espaço.


No silêncio moram as perguntas que por vezes não ousamos fazer, os sentimentos que estavam escondidos, as lembranças que pedem atenção. Fugir pode ser confortável por um instante, mas impede que aprendamos a escutar a nós mesmos.


Aprender a ficar em silêncio com nós mesmos não é nada fácil, eu sei. Requer paciência, requer estar disposto a sentir, mesmo quando o que sentimos não é agradável. Mas, ironicamente, é nessa disposição que encontramos a compreensão de quem realmente somos, queremos e precisamos.


O silêncio deixa de ser ameaça quando entendemos que ele não é um monstro. O silêncio pode ser acolhimento, escuta, presença, organização. E, às vezes, ele diz muito mais do que qualquer palavra.


Já ouvi muitas pessoas dizerem que o maior medo de ir para a terapia é “ficar em silêncio”. Estranho como o silêncio assusta tanto, né?


Isso acontece porque o silêncio nos coloque diante daquilo que tentamos evitar. Ele nos tira das distrações, dos discursos prontos, das respostas automáticas, do controle e isso assusta... E aí, realmente pode ser estranho a primeira vista encontrar alguém (psicólogo) que abre espaço para o silêncio existir.


O silêncio, quando bem sustentado, consegue comunicar que não é preciso ter pressa para ter uma resposta. Talvez seja isso que torne o silêncio tão precioso: ele não exige desempenho. Não cobra respostas. Não pede coerência.


Estar em silêncio consigo mesmo é, para mim, o momento em que paramos de fugir de nós mesmos.

2 comentários

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Kaleb
17 de jan.

Reflexão extremamente interessante!


Podemos passar a vida toda fugindo do “silêncio”, fugindo de nós mesmos.

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Gisele Reami
Gisele Reami
20 de jan.
Respondendo a

Sim!!! E o curioso é que quanto mais a gente foge, mais ele insiste em aparecer…ehehehehe

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