top of page

Entre telas & ansiedades

  • Foto do escritor: Gisele Reami
    Gisele Reami
  • 2 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 6 dias


Você lembra qual foi a última vez que sentiu tédio? Aposto que não. E não é porque a sua vida esteja tão emocionante assim, mas porque a gente simplesmente não se permite mais sentir tédio. Qualquer pausa vira tela, qualquer silêncio vira notificação, qualquer microincômodo vira fuga para o conforto e ai, sem perceber vamos perdendo a capacidade de estar conosco.


O tédio (aquele espaço meio vazio, meio estranho) é justamente um espaço que organiza: organiza a mente, permite que pensamentos se acomodem, que emoções se assentem, nos empurra para a criatividade, nos faz refletir. É o intervalo onde nossas ideias respiram. Mas, se nunca há intervalo, tudo parece caótico por dentro.


E, quando precisamos desacelerar, aprofundar ou sustentar algo por mais tempo… simplesmente não conseguimos.


Não é falta de interesse.

Não é preguiça.

Não é incapacidade.

Não é um diagnóstico.


É ansiedade disfarçada de produtividade. É o cansaço de estar sempre disponível e nunca realmente presente. E aqui mora o paradoxo: ficamos cada vez mais estimulados e, ao mesmo tempo, mais vazios. Mais informados de tudo e menos conscientes de nós mesmos.


"Parece que cai bem socialmente dizer que você não teve tempo de almoçar, não teve tempo de dormir, não teve tempo de mexer o seu corpo, de rir, de chorar; não teve tempo de viver. A dedicação ao trabalho parece estar ligada a um reconhecimento social, a uma forma estranha de se sentir importante e valorizado.."

(Livro: A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Arantes)


E há ainda um outro ponto que é: a tirania dos ideais.

Não sei você, mas por aqui nas redes sociais, tenho sido bombardeada por metas que parecem possíveis, mas que na verdade são puro suco das fantasias altamente editadas. Corpos “naturais” que não existem na natureza, rotinas impecáveis que ninguém sustenta fora da câmera, vidas emocionalmente equilibradas que ignoram o fato básico de que existir é, por definição, ser atravessado por conflitos. E o mais perverso é que, mesmo sabendo que são montagens, seguimos nos comparando. Quando o eu se mede por esses pontos, instala-se uma sensação de insuficiência permanente.

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Tirei esse trecho do livro "Aurora: O Despertar da Mulher Exausta" por Marcela Ceribelli, que inclusive é minha leitura atual e estou amando!!


No livro, a autora fala sobre esse cansaço silencioso que nasce da soma de microexigências, expectativas irreais e da pressão para sermos versões perfeitas de nós mesmas.


Permitir-se pausar, sentir tédio, sustentar o desconforto e estar presente consigo mesma não é fraqueza. É uma forma de reencontrar o próprio ritmo, acolher os limites e reconhecer que já somos suficientes.


Não é pra trabalhar enquanto eles dormem. É pra dormir mesmo.

Não é pra esgotar o corpo e a mente para se sentir digna de sucesso.

Será que o tempo precisa ser escasso e nosso corpo no limite para merecermos nossa própria atenção, cuidado e reconhecimento?


E, sinceramente, por quê buscar respostas nas redes sociais, que prometem soluções instantâneas e perfeitas, quando podemos investir em encontros de verdade?


Me conta o que você acha de tudo isso?

p.s.: lembra que esse é um espaço de trocas, quero te ouvir!

4 comentários


Flora Fae
Flora Fae
há 5 dias

Vivemos num mundo,cheio de vozes que prometem respostas rápidas.

A ansiedade,gera cansaço, impaciência, agitação, precipitação e incredulidade.

Estou sempre me perguntando: Como está minha lista de prioridades? Quem ou o que está no topo da minha vida ou do meu dia?

Curtir
Gisele Reami
Gisele Reami
há 5 dias
Respondendo a

Adorei! É realmente isso, em um mundo que exige muita pressa e respostas imediatas, conseguir revisitar as nossas prioridades é um ato de cuidado. Inclusive, nós temos que ser uma das nossas prioridades! Não se trata só de ter respostas, mas de perceber, dia após dia, o que (ou quem) merece presença, tempo e escuta 🤍

Curtir

sophiamessa.rolfsen
02 de jan.

Que leitura potente. Entre telas e ansiedades, esse lembrete de estar consigo mesma é quase um respiro... Obrigada por compartilhar ♡

Curtir
Gisele Reami
Gisele Reami
há 6 dias
Respondendo a

Que bom saber que o texto pode ser esse respiro por aí... às vezes, é mesmo disso que precisamos: pequenos convites para voltar a nós. Obrigada por compartilhar isso por aqui, Sophia! 💛

Curtir
  • Whatsapp
  • LinkedIn
  • Instagram
  • linktree-icon
psi-removebg-preview.png

© 2025 Todos os direitos reservados. Proibida cópia ou reprodução sem prévia autorização.

bottom of page